O conceito de permeabilidade intestinal evoluiu de uma simples ideia de “barreira física” para o de um ecossistema dinâmico, neuroimunológico e metabólico. A mucosa intestinal atua como um filtro seletivo, dependente da integridade das proteínas de junção oclusiva, da camada de muco, da imunoglobulina A e do equilíbrio do microbioma.
Quando ocorre a perda dessa seletividade, a passagem paracelular de antígenos alimentares, toxinas e lipopolissacarídeos bacterianos para a circulação sistêmica ativam receptores nas células imunes. Esse processo deflagra uma endotoxemia metabólica e uma inflamação crônica de baixo grau.
Hoje, esse fenômeno é reconhecido como um pilar central na fisiopatologia não apenas de doenças gastrointestinais, como a Síndrome do Intestino Irritável e as Doenças Inflamatórias Intestinais, mas também de condições sistêmicas, incluindo doenças autoimunes, alterações metabólicas e distúrbios do eixo intestino-cérebro.

