Entendendo a Intolerância à Lactose:

Você já sentiu desconforto abdominal, estufamento ou gases logo após consumir leite ou derivados? Se a resposta for sim, você pode fazer parte do grupo de milhões de brasileiros que convivem com a intolerância à lactose.

A boa notícia é que, com o diagnóstico correto e os ajustes adequados na rotina, é perfeitamente possível manter a qualidade de vida e o prazer de comer.

O que é a Intolerância à Lactose?

Diferente do que muitos pensam, a intolerância à lactose não é uma alergia, mas sim uma dificuldade digestiva. Ela ocorre quando o corpo produz quantidades insuficientes de uma enzima chamada lactase.

A função da lactase é quebrar o açúcar do leite (a lactose) em duas partes menores para que possam ser absorvidas pelo sangue. Quando essa quebra não acontece, a lactose segue inteira para o intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, causando os sintomas clássicos.

Os principais sintomas

Os sinais costumam aparecer entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão de laticínios:

Inchaço abdominal e excesso de gases.

Cólicas e ruídos intestinais (borborigmos).

Diarreia (geralmente ácida e explosiva).

Sensação de náusea.

Tipos de Intolerância

Existem três formas principais de desenvolver essa condição:

Hipolactasia Primária: É a forma mais comum. Ocorre devido ao declínio natural da produção de lactase à medida que envelhecemos.

Intolerância Secundária: É temporária e causada por doenças ou lesões no intestino (como Doença Celíaca, Doença de Crohn ou infecções intestinais) que danificam a mucosa onde a lactase é produzida.

Congênita: Uma condição genética rara em que o bebê já nasce sem a capacidade de produzir a enzima.

Intolerância à Lactose vs. Alergia à Proteína do Leite (APLV)

É fundamental não confundir as duas condições:

Intolerância: É um problema metabólico (falta de enzima). O foco está na quantidade ingerida e no sistema digestivo.

Alergia: É uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite (caseína, whey). Pode causar reações graves e imediatas, como urticária e dificuldade respiratória, mesmo com quantidades mínimas.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico no consultório começa com a análise do seu histórico clínico, mas pode ser confirmado por exames específicos, como o Teste de Tolerância à Lactose (sangue) ou o Teste do Hidrogênio Expirado.

Como é o tratamento?

O tratamento é personalizado. Atualmente, raramente pedimos a exclusão total do leite da dieta, a menos que os sintomas sejam muito severos. As estratégias incluem:

Adaptação da Dieta: Substituição por leites vegetais ou produtos com o selo “zero lactose”.

Uso da Enzima Lactase: Cápsulas ou gotas que podem ser ingeridas antes do consumo de laticínios, permitindo que você coma de forma social sem desconforto.

Consumo de Queijos Curados: Queijos mais envelhecidos (como o parmesão) naturalmente possuem menos lactose.

Nota importante: Retirar o leite por conta própria pode levar à deficiência de Cálcio e Vitamina D. O acompanhamento médico é essencial para garantir que sua saúde óssea permaneça intacta.

Quando procurar um especialista?

Se você vive “brigando” com a balança, sente-se estufado constantemente ou mudou seus hábitos sociais por medo de crises intestinais, é hora de investigar. Cada organismo tem um limite de tolerância diferente e o meu papel é ajudar você a descobrir o seu.

Dr. Fernando Hamilton Viera. Gastroenterologista e Endoscopista em Sant’ana do Livramento-RS. Atendimento Personalizado em Saúde Digestiva. Proprietário da Clínica Endogastro Livramento.

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